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Às vezes não

proibidoCrianças são os humanos na sua forma mais fabulosa. Não tem as limitações dos pudores ou da educação cerceadora e claustrofóbica que a vida em sociedade nos impõe. Outro dia, escutei um relato fantástico, um irritado garoto de cinco anos e sua mãe no caminho de volta da escola para casa conversam sobre amor e a mãe pergunta se o menino não ama seus pais e o pequeno infante responde perspicaz: “Ás vezes não, mamãe”. A mãe pasma pergunta se ele sabe que seus pais o amam, e novamente o menino responde: “Ás vezes eu sei que não”.

Existem momentos que, por mais que o amor esteja presente, uma ação ou um contexto nos fazem ficar com raiva daqueles que amamos. Algumas vezes as pessoas te irritam, falam aquilo que você não quer ouvir, ou não querem simplesmente te ouvir. Isto causa um sentimento que está bem distante daquela teoria de amor romântico. No entanto, e justamente nestes momentos que botamos a prova nossos sentimentos, nossa vida. Afinal, nada pode ser constantemente um mar de rosas. E nós temos todo o direito de não gostar, de odiar, de querer destruir ou simplesmente não sair da cama. Eu demorei quase trinta anos para ter noção disso, e um menininho já está careca de saber. Eu o invejo. Sua liberdade de expressão que a idade permite e me pergunto com que idade deixamos essa espontaneidade  para sermos mais um pontinho do bloco e por que é tão difícil deixar esse modo?  Quando fomos proibidos de dizer o que pensamos ou sentimos para não sermos demitidos, espezinhados ou, na verdade, livres.

Linhas

Instalação Maria Bonomi

Instalação Maria Bonomi

Encruzilhada

Em cruz ilhada

Ilha em cruzada


Tenho amor pela vida

Amor pra minha vida

Vida com amor…


Preciso decidir

Agir é necessário

Que tal fugir?


Não me movo

Sou ninguém

Vou sendo.


Quero a simplicidade

Simples desejo

Ação complexa

E a idade chega!

Festas

Magrit -ceci n'est pas une pomme

Magrit - isto não é uma maçã

13-1-2009

Não havia mais nada. Ou melhor tudo estava lá e, portanto, nada faltava. Não havia do que sentir falta. Assim, surgem as reclamações sobre o mínimo, na verdade, sobre o não realizado. Uma crítica que só é pertinente quando se compara o plano ideal e o realizável. E assim passou mais um ano da minha vida. Perseverante, consegui aquilo que me propus. Sim, dificuldades, sofrimentos e desventuras. No entanto, no final… o saldo me é deveras positivo.

Faltava um irmão e sua família. Neste ano não foi possível, e provavelmente outros trezentos e poucos dias se passarão sem a presença deles. E logo, nasce-me um sobrinho – incrível milagre da vida e produção de amor.

Do que reclamar? O Noel também não trouxe um primo que sempre estivera lá. As regras ortográficas se unificaram, alguns acentos caíram e por que seria diferente com os hábitos? Eu continuo lá, na mesma cadeira, desde os poucos anos de vida. Meus parentes se moveram e eu continuo, apesar de um passageiro discurso adolescente de rebeldia e fuga. Continuo lá.

E o que me falta? Agora vejo claramente. Nada que estivesse lá, ninguém que fosse recorrente, mas algo essencial: a vontade de estar. Não havia mais vontade de estar, a imobilidade não faz mais sentido. Uma nova dinâmica deve ser proposta. Mais especificamente a minha movimentação, seja com gingado no ritmo da capoeira ou na suavidade forte da yoga.

O elogio e o paradoxo

17-09-08

Olha, se tem algo que me insulta é um elogio vazio, sem criatividade, sem ser. Quando era mais nova pensava que quando o amor viesse, não seria em cavalo branco e nem com príncipe encantado. Afinal, eu era um sapo e não a princesa. Eu fui mais pra grilo falante, minhoca de biblioteca, só que no corpo do patinho feito. Ah! Minha fada madrinha me pregou uma peça.

Todos conhecem a história do patinho feio. Pois é, quem diria? E o sapo (ou perereca) continua em mim e … Droga! O grilo falante também não foi embora. Ensinaram-me errado. A beleza pode coexistir com a inteligência, mas eu custo a acreditar. Ainda mais com a paixão. Ah! Essa ingrata! Quando me apaixono, saboto meu pensar. Nasci mulher, e esta é minha
maldição na sociedade machista. Aprendemos a ser condescendentes, compreensivas, fazemos tudo para agradar. Trabalhamos, cozinhamos e nos banhamos para receber nossos amores que estão amassados, cansados (quiça fedidos) e até de mau humor. Se estamos bravas é TPM, se não estamos contentes é porque exigimos muito. Cansei disso.

Quero ser feliz pra sempre.

Amor à flor da pele

17-09-08


Conversando com amigos e lendo outros blogs e textos, percebi que sempre me falta algo quando escrevo: o uso veemente do EU. Ou nas palavras de uma amigo “me faltam vísceras à mostra”. Realmente, mostrar minha essência é demasiado difícil, pois não considero meu interior mais do que um grande mar de água com açúcar. Sonhos de uma garota mimada.

Seguindo o conselho deste interlocutor, tentarei aqui mostrar as dores, os calos, as remelas, o chulé e o sangue (seja o que eu já tirei de alguém, quanto vice-versa). E “se eles querem meu sangue, terão o meu sangue só assim”, desta forma poderei aparecer, ou melhor: ser. Sem me esconder atrás de uma couraça intransponível, essa muralha invisível e opressora.

Não sei se conheceram o filme “Amor a flor da pele”, mas foi nele que encontrei uma sensação fabulosa. O tempo do filme é lento, como a maioria das narrativas chinesas. Às vezes dá vontade de dormir, confesso que tive que assistir 3 vezes até pegar o sentido dele. Mas o fato é que lá surge um casal, um amor de lugar pouco provável. Oras! Não é sempre assim? Sim, mas e daí? É o seguinte, no sofrimento de uma traição mútua (entre seus cônjuges), na raiva surge o tal amor. Consumado ou não, o sentimento surge e fica. No entanto, as escolhas de cada um deles acabam por afastá-los.

E eu com isso? Eu, eu cansei. Cansei das juras de amor que um dia acabam. Cansei das promessas dos planos não feitos, cansei do “desculpe, mas não é o melhor momento pra mim”. E quando será?!?! Se não agora, quando? A vida é hoje, meu bem. Amanhã, uai, a Deus pertence.

O dia mais feliz da minha vida

Este foi um título de redação do primário que nunca usei por pensar que era muito clichê. No entanto, acho q nunca tinha experimentado o dia mais feliz até há pouco. Tentei reconstituí-lo em uma narrativa poética e descobri o qual foi a causa para tamanha felicidade. Acreditem ou não, foi algo bem simples que não experimentava desde minha infância, creio eu. A liberdade de viver, sem as restrições que nossos planos ou o cotidiano nos impingem. A teoria é bem básica e fácil, porém praticar isso é deveras complexo. Ainda mais se estamos mergulhados em nós mesmos.

Se desprender de si mesmo e se encontrar no outro (seja o outro uma obra de arte, um lugar, uma pessoa ou um momento). É quase a mesma sensação de estar numa montanha russa, pois no momento que desligamos nossas amarras de nós mesmos, a sensação é de queda livre. Não se esqueçam que na montanha russa nós não estamos em controle, mas alguém está e isso também ocorre quando nos propomos a liberdade.

Deixar o controle com o outro e apenas praticar o Carpe Diem, não é um problema. Muito pelo contrário. Esquecer o horário e ficar horas observando uma paisagem até se sentir integrado à ela. Se deixar levar em uma conversa até perder a noção do tempo. Fazer isso todo o tempo não é possível, pois temos nossos deveres e obrigações, mas devemos reservar alguns momentos diariamente, se possível.

A felicidade está ao alcance de nossas mãos, portanto alongue-se e pegue-a!

Ninguém disse que é fácil, mas, com certeza, vale a pena.

Todas as coisas mais belas do mundo

A beleza está presente sim, em tudo, e mais, em todos. Eu vivo num mundo cor-de-rosa? Pode até ser, mas tenho aprendido que toda beleza tem seu outro lado. Nada é tão fabuloso que não tenha uma desvantagem. Ninguém é tão belo sem ter uma unha encravada. A perfeição em um aspecto carrega um defeito em outro. É o ciclo da vida, das coisas, da própria necessidade do homem de se juntar a outros. Ou seja, sem estas tais imperfeições seriamos ermitãos, solitários.

Serve como experiência de vida? Acredito que em alguns momentos da vida realmente precisamos de um lugar para refletir, ficar em silêncio (ou ouvir uma boa música), entrar em transe conosco. Entrar em contato consigo mesmo, não ouvir nada além de seus pensamentos. E o mais importante: ter sua velocidade reduzida. Diminuir a marcha e aproveitar o tempo de inspirar e expirar.

É pedir muito? Também acho que não.

No entanto, depois de um momento de ermitão, humanos precisam de outros humanos (ou ao menos eu preciso). Por isso, voltamos à sinfonia da vida, mil sons, corações palpitando de emoção, tilintares e tudo mais. Entrar em contato com outros imperfeitos como nós, aceita-los… e assim, quem sabe eles nos aceitam também. E vivemos felizes, não para sempre pois somos mortais (rsrs).

Hoje eu faço um brinde às coisas feias do mundo, afinal sem elas… o que seria de nós?

Cheers for my ugly toes!

Objetivo

Com esse turbilhão de efemérides que invade nossa vida cotidianamente pela TV, rádio, jornal que acabam sendo assunto das conversas do nosso dia-a-dia, se perder fica fácil. E não apenas um desvio de caminho, mas sim uma total falta de rumo pode nos acometer. Tantas vozes, tantas necessidades, tantos os deveres que nos são impostos pela sociedade (ou por nós mesmos) sem que exista uma relação com nossos objetivos pessoais.

Até esquecemos o que ou quais são nossos objetivos. Outro dia, um amigo me perguntou: Qual seu objetivo? Falei várias coisas que gostaria de fazer, mas nenhuma era de fato meu objetivo. Levei alguns instantes para lembrar-me de mim e o que EU quero. É um paradoxo, a própria pessoa interessada se distancia de seu foco principal: si mesma.

Podemos nos perder de nós mesmos. O tempo pode passar. Os objetivos podem mudar. O que realmente importa? Não desistir, como aquela propaganda: “sou brasileiro e não desisto nunca”. Cumprir nossos objetivos pode ser uma tarefa dura, pesada e árida. Só nós sabemos se vale a pena. A relação custo benefício é totalmente subjetiva. Enquanto para uns, tal situação é o limite do aceitável, e para outras, é apenas o começo.

Demora, ora, demus + hora, dê hora… Oras!

Depois de um longo período sem postar, nada mais natural que conversar sobre o tempo e nossa relação com ele. Ou seja, o que ganhamos ao longo do tempo e como.

Aprendizado:  um processo demorado.

Gostaria de aprender algumas coisas automaticamente, como pílulas, mas não é assim o processo. Ao menos pra mim, por favor, mostrem-me q estou errada.

Soluções podem demorar horas para se conseguir, mas para surgir um problema, basta um segundo.

Se a geração de problemas fosse contínua, estaríamos perdidos! Ironicamente seria impossível solucioná-los. Ainda bem que existe uma verdade universal (?!): existe solução pra tudo, exceto para a morte. E como estamos vivos… podemos ficar tranqüilos.

Podemos? Realmente podemos? Prefiro acreditar que sim, pois se pensarmos sempre nas desventuras que podem surgir em nossa vida, nada faremos. Seremos estáticos e sem vida… se fossemos árvores ainda balançaríamos com o vento e produziríamos flores, frutos ou folhas. Mas, tão parados seríamos nada mais do que só um muro, um verdadeiro bloco monolítico.

Ainda bem que somos dinâmicos e temos movimentação!

No entanto, o ritmo dessa movimentação anda cada vez maior. Tudo é motivo para stress, não queremos esperar por absolutamente nada. Acreditem, outro dia, fiquei impaciente, pois uma senhora demorou a receber meu pagamento e conseqüentemente me dar o troco, pois estava conversando. Não sei o assunto, mas podia ser sério (estavam falando em uma língua que não compreendo). Eu não tinha nenhum compromisso que me apressasse, mas queria pagar e ir embora. Não é um absurdo?

O ditado popular diz que a pressa é inimiga da perfeição. Neste momento mundial, portanto, estamos bem afastados do conceito.

Os limites da sanidade

Sanidade, sã idade… sem idade, insano.

Quando temos medo de arriscar, ficamos apreensivos e retraídos. Assim, a vida passa por nossos dedos e não vivemos, apenas vegetamos.

Porém, chega um momento que desvalorizamos o medo. Este pequeno terrível vai perdendo as forças, e nós tomamos conta de nossas vidas. Como no processo de crescimento, paramos a ter medo do bicho papão, os mitos vão caindo por terra. As histórias da Carochinha ficam apenas na nossa memória.

Perder o medo pode ser bom. No entanto, existem sempre os contras. É uma questão simples de limite, de medida, ou como diria Aristóteles, na Virtude reside o meio-termo entre os dois extremos.

Quando somos crianças ou adolescentes, ainda temos nossos pais nos lembrando das divisas entre o que se pode ou não fazer. Porém, chega um momento que nós somos responsáveis por nos limitarmos. E num ímpeto de onipotência, podemos extrapolar os limites do aceitável. Os limites da crítica ou do ridículo, pela falta de noção ou simplesmente por não enxergar o outro.

Sim. O outro. Nessa sociedade egocêntrica e imediatista, pouco pensamos sobre o outro, ou o ‘próximo’. Regidos pelo lema egoísta de que ‘se não me preocupar comigo, quem o fará’. A verdade é que se temos amigos, família ou qualquer ser que nos ame, eles vão se preocupar conosco. E vice-versa. Ou ao menos, é como deveria ser.

Vivemos numa sociedade de crianças grandes. Não conseguimos ver o outro. Na maioria das vezes, pensamos apenas na primeira pessoa do singular. O ‘tu’ e o ‘ele/a’ não passa pela cabeça da maioria, é uma bola de neve. E eu estou no meio dela.

O autismo me toma. E eu do meu mundinho, nada vejo senão eu mesma. O pior é não perceber quando estamos sendo cruéis com o outro, sem ter intenção mesmo. Não por maldade, mas fazer algo apenas porque lhe convém e sem perceber o tamanho da navalha que enfiamos na outra pessoa.

Uma questão que me ronda estes dias é se há perdão para a falta de noção e tato. Mais uma vez é o tempo que será a reposta. Apenas com paciência e com o passar dos dias há como saber o tamanho do dano.

Afinal, existe perdão ou não? Imagino que não haja resposta exata, mas… existe algo realmente imperdoável? Qual o limite para desculpar alguém?

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