Um dia normal, daqueles que as neuras acometem a sua alma como um todo. De repente, percebe que seus amigos são absolutamente falsos consigo. A reflexão toma completamente seu ser e memórias de sucessivos amigos repletos de falsidade a preenchem. Tomada por certo desespero, por tantas lembranças de doações intermináveis e pessoas que se esvaíram de seu convívio, explicação eminente: nunca foram seus amigos.
Catatônica, quase num ataque de pânico e loucura, mergulha mais profundamente em si mesma. Nota que há muito não o fazia. Uma saudade de si preenche seu coração. E naquele instante, uma epifania: falsa sou eu… comigo mesma. Nenhuma amizade resistiu a ausência de seu caráter, sua alma. Carinhos e confidências trocadas de nada adiantam, se na há o outro para compartilhar. Dizer verdades ocultas a alguém preenchido de nada, seria o mesmo que dizê-lo ao nunca. Jamais tê-lo feito, nenhum laço, sem raízes ou permanências.
Soledade era seu nome e conhecer-se, seu destino.
