“Convenção, espécie de lembrete, o maior obstáculo para aproveitar a vida e a arte.” Piet Mondriaan

15.02.15

“Conventie, een soort herinnering, is het grootste beletsel om te genieten van leven en kunst.” Piet Mondriaan
Não há fórmula para viver e ser feliz. Não há como saber qual é seu gosto, sem experimentar. O que nos constitui são nossas vísceras e são elas que mostram exatamente quem somos, o que somos e nossos desejos.
Aquilo que se afirma como o corrente, o padrão, pode não ser o que lhe cabe ou toca. Não é caso de transgredir direitos, leis ou desrespeitar o outro. É apenas algo singular. Algo que vai do simples gostar do cheiro do mato e não do curtir muita luz… Até o mais intenso e visceral sentimento interno.
Escutar nossas vísceras tornou-se difícil, estamos em um mundo cheio de ruídos. Quase não ouvimos o silêncio que está lá e não nos damos conta de seu valor.

Every beginning has an end

25.12.14
Tudo que tem inicio, possui um desenvolvimento e uma conclusão. Nossa única escolha é compreender cada fase e aprender o máximo de cada uma delas. Como a espiral histórica, devemos continuar em nossos ciclos de começo, meio e fim.
Este movimento garante a nós força vital e nos impulsiona para frente.  Enfrentar cada momento e aceita-lo com sua importância é muito complexo, e por isso é não é fácil.
A dificuldade em aceitar o momento atual tal como presente que é, nos deixa aturdidos.

Contingências

22.12.14

E tudo mudou, o cotidiano, a companhia, poderia se dizer que até mesmo a pessoa também se transformou. No entanto, sua essência permanecia a mesma e o que havia lhe mudado fora o olhar.  A ingenuidade e inocência se despediram subitamente e não voltaram.
Desta forma, o mundo não existia mais como fora antes. Dos tons rosáceos e infantis, nasceu a cor cinza e penetrou até sua alma. A esperança continua lá, bastante acuada, mas quase nunca se vê. A integridade e os sonhos esperam. E há um túnel que os guiará para o novo e desconhecido futuro.
Por aquele caminho, estão as palavras nunca escutadas e as verdades não assumidas. Quem sabe ali, o gramado volte a ser verde e a mudança seja aceita.

Palavra

18.08.14
Hoje recebi um insulto. Anônimo, agressivo e sussurrado. Não vi quem foi, mas acredito que veio pela minha esquerda. Percebi um vulto e ouvi a palavra. Segui a olhar para o chão, hábito que mantenho há tempos devido a uma habilidade incrível que possuo: tropeçar em buracos na rua. Tenho outros dons, mas no dia a dia este me ocupa mais, afinal há que se atentar para tamanha capacidade de encontrar buracos ao chão.
Também ocorre quando dirijo, consigo muitas vezes acertar dois ou três buracos de uma só vez.
No entanto, A palavra ficou comigo e seguiu. Não tropeçou ou caiu esquecida em nenhum lugar. Pensei em vários motivos para o sussurro, desde a escolha da roupa que vesti nesta manhã, a forma que me maquiei, o penteado, perfume ou mesmo o sentimento que me toma desde há algum tempo.
Depois de muito me indagar e planejar novos dias para evitar ouvir a palavra novamente. Percebo que na verdade, de nada adiantaria, pois o que foi dito nada se deve a mim. Embora endereçada a mim, a fala saiu cheia de significantes por meio de outro sujeito, furtivo e cheio das razões dele.
Todos temos, eu inclusive, direito a liberdade de vestir e existir.

Aside

POLLYANA

03.08.14
A subjetividade e a objetividade se perdem nos entremeios entre a a longa e a curta duração.
Tudo aquilo que permanece é história, ou uma memória daquilo que passou.
Somos todos personagens sinfônicos, nessa harmonia descompassada que é o viver.
Por isso tudo e pela ausência completa do nada, pelos gritos mudos e pelos silêncios surdos, por todas as cores e por nenhuma, sonhos são criados e realizações se materializam.
Por rochas que presenciaram tanto do mundo ou por borboletas singelas, o sentido surge a cada minuto e nos perdemos em esperanças cor de rosa.
Encontramos no vento e nas ondas do mar significados nunca antes imaginados. Ilusões? Talvez, mas com certeza é vida, brilha e vale à pena.

Fake

Um dia normal, daqueles que as neuras acometem a sua alma como um todo. De repente, percebe que seus amigos são absolutamente falsos consigo. A reflexão toma completamente seu ser e memórias de sucessivos amigos repletos de falsidade a preenchem. Tomada por certo desespero, por tantas lembranças de doações intermináveis e pessoas que se esvaíram de seu convívio, explicação eminente: nunca foram seus amigos.

Catatônica, quase num ataque de pânico e loucura, mergulha mais profundamente em si mesma. Nota que há muito não o fazia. Uma saudade de si preenche seu coração. E naquele instante, uma epifania: falsa sou eu… comigo mesma. Nenhuma amizade resistiu a ausência de seu caráter, sua alma. Carinhos e confidências trocadas de nada adiantam, se na há o outro para compartilhar. Dizer verdades ocultas a alguém preenchido de nada, seria o mesmo que dizê-lo ao nunca. Jamais tê-lo feito, nenhum laço, sem raízes ou permanências.

Soledade era seu nome e conhecer-se, seu destino.