O vazio, o nada e seus paradoxos

Simio em duvida

“Vazio” e “nada”, palavras que podem ter sentidos próximos, mas tem uma diferença crucial. O nada é uma ausência completa, enquanto o vazio pressupõe ao menos um contorno, uma carapaça. Esta última pode servir de armadura, como no “História Sem Fim” os cavaleiros ocos. Mas se era oco, o que era protegido pela couraça?

Ao que eu saiba, a proteger é um verbo bitransitivo que exige um sujeito e nos habilita a perguntar “o quê?” e “de quê?”. Portanto, se há uma proteção, há algo a ser preservado e desta forma, se for o vazio que está sendo protegido, ele torna-se algo, mesmo sendo o ‘nada’. Pode não ser palpável, mas está lá. Isso é contraditório e mais que isso, é instigante.

Como já disse outrora, estamos num momento que a superficialidade é deveras comum entre nós. E a tendência a nos fixarmos na aparência, pode nos levar a crer que o mundo está oco e que qualquer tentativa de aprofundamento seria frustrante. Prefiro acreditar que por dentro as pessoas são densas e preferem não expor sua intimidade. Cada um tem uma forma de encarar a vida e isso não quer dizer que são mais ou menos cultas, apenas pensam diferentemente, tem formas de se expressar ou de conhecer o mundo distintas das minhas ou das suas.

Falando mais uma vez do “História Sem Fim”, Fantasia estava e está sendo atacada pelo nada. Basta acreditar e dar um novo nome a Imperatriz Criança ou mesmo ao próprio nada para que o reino de Fantasia seja salvo. Acreditar pode ser difícil, mas deixar pra lá e viver apenas o palpável, pode nos deixar sem sentido. E afinal, até o Homem de Pedra tem sensações, sentimentos e seu sentido! Ou se preferirem mudar de história, o Homem de Lata – do “Mágico de Oz” – também busca seu coração e tem sua função na história com Dorothy.

No final das contas, será que o vazio ou o nada existem?

4 thoughts on “O vazio, o nada e seus paradoxos

  1. Erica diz:

    É, eu acho que os dois existem, mas penso que o nada é alienante e o vazio dói. Não há nada pior do que sentir que você só tem uma carapaça e um recheio inexistente (o vazio). Daí a carapaça cobre o quê?
    Pelo menos no nada você não sente nada, meio redundante, mas sinto que é bem isso. No nada não existem tantos incomodos porque aliena.
    Bem, é o que penso.
    Bjao

  2. David diz:

    Putz Lô, agora vc me fez lembrar de várias conversas. Principalmente aquelas que tínhamos com o pai nas altas horas em Saint Lourenz… O nada está realmente dominando tudo e todos.
    Outra coisa que me fez lembrar sobre carapaças e proteções é essa tal de internet e mundo cibernético. O tal do Second Life é uma viagem total! Afinal pode-se ser o que quiser lá, aliás, tem algum gordo, ou feio, ou qquer estereótipo ruim no Second Life? Se alguém souber me fala pq nunca vi uma tentativa mais bravatosa de “limpar” a humanidade, no sentido mais Nina Rodrigues possível da limpeza étinica (racial no caso dele). De quantas coisas esse negócio chamado computador também não nos protege? De quantas situações embaraçosas ele nos previne? Em quantas ele nos coloca?

    Putz… se o censo comum domina, e o nada também, dá-lhe Nelson Rodrigues: “O censo comum é idiota” e “Toda unanimidade é burra”.

    Beijão

  3. Simpleste Maria diz:

    Pois,mas com esta me deparei e para quem quer tentar ser feliz não devia pensar em semelhante coisas.Mas não será mais cómodo o nada?

    Apenas uma pergunta…Mas vou tentar agarrar-me á carapaça e ver se ela se torna cada dia mais consistente e “saltarica”.

    Apreciei o blog! É polémico e faz-nos pensar e interagir connosco mesmo,sabendo que alguém tem as mesmas duvidas… e tenta acertar.

    Não estamos sós. Penso que é uma coisa boa que a net tem.

    Tudo de bom

    Maria

  4. Obrigada pelas palavras, Maria.

    Quanto a couraça, ela é necessária em alguns momentos, mas não devemos vesti-la sempre. Pelo menos é o que eu acho.

    O nada acho perturbador, não no bom sentido. A mim, parece ser algo que te corrói por dentro e podendo nos fazer perder a perspectiva.

    Felicidades pra ti!!!

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