O apanhador, o campo e o centeio

the catcher

Sim! Sallinger. A passagem que acaba por nomear o livro “O Apanhador no Campo de Centeio” me é muito recorrente. E após ler um texto, há alguns dias, não a tirei da cabeça, portanto compartilho com vocês. Eis o trecho no qual Holden, a personagem que nos guia através das páginas, e sua irmã Phoebe conversam sobre o que ele gostaria de fazer da vida:

“Fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto – quer dizer, ninguém grande – a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê que eu tenho de fazer? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começar a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer.”

Dito isto, a pergunta é: o que é o abismo?

Acreditei por muito tempo que o precipício era uma metáfora para o amor. No entanto, estes dias que passaram me fizeram rever o tal do penhasco. Talvez seja a Vida, sim precisamos de amor nela, mas seus limites transcendem o emocional.

Pode ser que o amor esteja presente em todos os âmbitos de nossa vida. O que seria do trabalho, sem o gosto por fazê-lo? Ou da família, sem a vontade de reencontrar? Do lazer, sem a paixão por um hobbie? Dos amigos, sem o ‘conte comigo’?

A idéia é que precisamos nos atirar em direção à Vida, que não deixa de ser uma grande dúvida. Você pode controlar as coisas até certo ponto, depois elas se esvaem de suas mãos. E o controle já é de outro. Daí, precisamos exercitar a confiança no outro. Às vezes, nos surpreendemos e às vezes não. Podemos receber o que esperamos, algo melhor, pior ou nada! Seu espaço é seu até que chegar o limite do outro, assim como uma teia de relações.

Atirar-se é difícil. Exige desprendimento? Bem provável. Porém, o mais necessário é a vontade de se mexer. Sair do lugar. Experimentar o novo, o diferente, o seu limite! Desta forma, nos descobrimos, nos encontramos, ou quem sabe aprendemos. A esperança é que no fim da queda exista alguém te esperando – um Apanhador. Se estiver ou não, não importa, mas sim o que faremos a partir disto. Logo haverá outro precipício e mais outro. E ficar parado, de fato, não leva a lugar nenhum (ou justamente ao nenhum lugar, que pode ser altamente incômodo).

Outra questão, o quando. Qual seria o momento de se atirar? O tempo pode significar existir alguém ou não à sua espera. E tempo certo? Aliás, certo e errado são concepções cheias de tonalidades.

Creio que esta discussão não tem fim…

5 thoughts on “O apanhador, o campo e o centeio

  1. Também acho que o abismo é a vida. Ou melhor, acho que a vida (não no sentido físico) é uma sucessão de abismos. Concordo também que a vontade de se mexer é o principal pra se atirar em direção à vida, mas existem muitas coisas que nos prendem, e talvez o medo não seja a principal. A inércia muitas vezes paralisa mais que o medo. Falo com conhecimento de causa, hehe….
    Acho que pra pular no abismo é preciso exercitar (isso eu carrego dos velhos tempos das aulas do Rafael)… É muito difícil vencer a inércia, então é preciso usar dela, dar um empurrão inicial pra que a inércia mantenha o movimento…
    Mas a queda livre assusta um pouco mesmo

  2. OI!oi!!!
    Que bom vê-lo por aqui!
    De fato a inércia do deixa estar é um fator de peso, mas acho q o risco de perder o que se tem pelo desconhecido pode ser mais paralizante…
    Trocar o certo, mesmo que nem tão satisfatório, pelo incerto total é muito complexo. Podemos não dar o nome de medo, pode ser um receio ou mesmo comodidade. Também conheço isto… :o)
    Concordo que precisamos nos exercitar continuamente.. ou seja, precisamos ir nos jogando. Pular não é algo que possa ser feito aos poucos, mas sim em diversas ocasiões… portanto, na dúvida… Pule! risos
    Acho que a queda livre pra mim não é o problema, afinal dá aquele friozinho na barriga. Continuo problematizando a chegada ao chão. O impacto ou não com o Nada, ou o ninguém! risos
    Saudades, Sr. Scabin!
    bjoks

  3. Bem, tenho uma opnião não sei se ela faz muito sentido ,mas tenho uma !Gosto de pensar que o abismo é a perca da inocencia, da capacidadde de sonhar e assim ficar amargo com as magoas da vida (no caso as crianças!) e ele esta la para pega-las quando estao prestes a cair e colocalas de novo para brincar a salvo no campo de centeio ,gosto de pensar assim, pode ser besteira mas as vezes para mim faz algum sentido!é isso tchau!

  4. Oi, Karina,
    Obrigada pelo comentário. Muito legal a sua idéia.
    Acho que faz muito sentido pra mim também que o abismo seja a perda da inocência… pelo menos para as crianças. Pros adultos talvez seja um ‘se liga’, algo que nos faça despertar.
    Gosto da idéia do abismo ser algo positivo. Um meio que nos faça crescer de alguma forma.
    Brincar no campo de centeio é bom, mas fora dele tem muito mais… brincadeiras, sorveteiros, amigos, livros e quem sabe outros campos com mais abismos! Mais possibilidades…
    O que vc acha?
    bjoks!

  5. Concordo com isso,mais na minha visao talvez ele tivesse medo q as crianças vissem isso sabe,pq alem de sorvete tem realidades e talvez ele quisesse poder conforta-las quando essa realidade chegasse .Pensso muito na morte de allie estar realcionada a essa sensaçao mais acho q ter mais possibilidades faz sentido .Mas pensa so ele tem medo de como cada uma delas enfrentaria isso e poder confortalas e talvez ate colocalas no abismo em segurança lhe faria bem!!haahah as vezes acho q viajo de mais e coloco aqui tb os meus sentimentos me coloquei no lugar dele e senti o desespero de estaar tao perdido e se sentir tao sozinho!penso q seria uma maneira de ele sentir q fez uma diferença!!!o q achas?

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