Os limites da sanidade

Sanidade, sã idade… sem idade, insano.

Quando temos medo de arriscar, ficamos apreensivos e retraídos. Assim, a vida passa por nossos dedos e não vivemos, apenas vegetamos.

Porém, chega um momento que desvalorizamos o medo. Este pequeno terrível vai perdendo as forças, e nós tomamos conta de nossas vidas. Como no processo de crescimento, paramos a ter medo do bicho papão, os mitos vão caindo por terra. As histórias da Carochinha ficam apenas na nossa memória.

Perder o medo pode ser bom. No entanto, existem sempre os contras. É uma questão simples de limite, de medida, ou como diria Aristóteles, na Virtude reside o meio-termo entre os dois extremos.

Quando somos crianças ou adolescentes, ainda temos nossos pais nos lembrando das divisas entre o que se pode ou não fazer. Porém, chega um momento que nós somos responsáveis por nos limitarmos. E num ímpeto de onipotência, podemos extrapolar os limites do aceitável. Os limites da crítica ou do ridículo, pela falta de noção ou simplesmente por não enxergar o outro.

Sim. O outro. Nessa sociedade egocêntrica e imediatista, pouco pensamos sobre o outro, ou o ‘próximo’. Regidos pelo lema egoísta de que ‘se não me preocupar comigo, quem o fará’. A verdade é que se temos amigos, família ou qualquer ser que nos ame, eles vão se preocupar conosco. E vice-versa. Ou ao menos, é como deveria ser.

Vivemos numa sociedade de crianças grandes. Não conseguimos ver o outro. Na maioria das vezes, pensamos apenas na primeira pessoa do singular. O ‘tu’ e o ‘ele/a’ não passa pela cabeça da maioria, é uma bola de neve. E eu estou no meio dela.

O autismo me toma. E eu do meu mundinho, nada vejo senão eu mesma. O pior é não perceber quando estamos sendo cruéis com o outro, sem ter intenção mesmo. Não por maldade, mas fazer algo apenas porque lhe convém e sem perceber o tamanho da navalha que enfiamos na outra pessoa.

Uma questão que me ronda estes dias é se há perdão para a falta de noção e tato. Mais uma vez é o tempo que será a reposta. Apenas com paciência e com o passar dos dias há como saber o tamanho do dano.

Afinal, existe perdão ou não? Imagino que não haja resposta exata, mas… existe algo realmente imperdoável? Qual o limite para desculpar alguém?

2 thoughts on “Os limites da sanidade

  1. Erica diz:

    Então, acho curioso essa coisa de medo. Pra mim, o medo é paralisante porque é dificil lidar com o outro. E mais curioso ainda, é que a gente sempre esquece que somos o outro, do outro (risos).
    É dificil, sempre foi e sempre será. Mas pra mim a dificuldade é saber quando pular. Quando se jogar e ir contra a corrente do medo? Daí a gente pode estrapolar e atrapalhar o outro, porque o outro tava esperando que nós fossemos o seu outro.

    Ah sei lá…

    Dificil responder…(risos)

    Não se há algo imperdoável. Há muitas variáveis, mas acho que somos capazes de perdoar tudo, pra falar a verdade. Ou sou eu que tenho um grande coeficiente de foda-se…(risos)

    Bjao

  2. PH diz:

    De fato. Uma sociedade de crianças grandes, em que todos tratam uns aos outros como brinquedos. Marionetes talhadas em madeira, lixadas e esmaltadas. Sem alma ou sentimento. Brinca-se um pouco, cansa-se da brincadeira. Uma sociedade do tédio. Conhece-se uma pessoa e, no dia seguinte, simplesmente não fala-se mais com ela. Uma socidedade do descartável.

    É possível mudar tal realidade, fazê-la melhor? Não acredito mais nisso. Talvez reste-nos apenas a possibilidade de nos adaptar. Nas palavras daquele dramaturgo irlandês, cujo nome agora não recordo: “A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos, conforme o metal de que somos feitos.”

    Saudações.

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