Palavra

18.08.14
Hoje recebi um insulto. Anônimo, agressivo e sussurrado. Não vi quem foi, mas acredito que veio pela minha esquerda. Percebi um vulto e ouvi a palavra. Segui a olhar para o chão, hábito que mantenho há tempos devido a uma habilidade incrível que possuo: tropeçar em buracos na rua. Tenho outros dons, mas no dia a dia este me ocupa mais, afinal há que se atentar para tamanha capacidade de encontrar buracos ao chão.
Também ocorre quando dirijo, consigo muitas vezes acertar dois ou três buracos de uma só vez.
No entanto, A palavra ficou comigo e seguiu. Não tropeçou ou caiu esquecida em nenhum lugar. Pensei em vários motivos para o sussurro, desde a escolha da roupa que vesti nesta manhã, a forma que me maquiei, o penteado, perfume ou mesmo o sentimento que me toma desde há algum tempo.
Depois de muito me indagar e planejar novos dias para evitar ouvir a palavra novamente. Percebo que na verdade, de nada adiantaria, pois o que foi dito nada se deve a mim. Embora endereçada a mim, a fala saiu cheia de significantes por meio de outro sujeito, furtivo e cheio das razões dele.
Todos temos, eu inclusive, direito a liberdade de vestir e existir.

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