Um agradecimento à comunicação

São Paulo, 12 de Abril de 2010.

Mais um dia longo de trabalho e saindo do metrô indo em direção de casa. Assim como várias outras pessoas, uma pessoa outra faz o mesmo caminho que eu. Em uma metrópole, alguém fazendo exatamente o mesmo caminho que você. Pensamento possível e recorrente, após assitir jornais com catastrofes diárias: Estou sendo seguida. Nada mais natural que apertar o passo, seguir adiante e chegar o mais rápido possível. No entanto, com o vício de uma interiorada que acredita que há bondade no mundo, continuei calmamente meu caminho e logo escuto: “Com licença”… Frio na espinha, estaria eu errada?… a voz continua “Posso te acompanhar?”. O motivo da intervenção, fora apenas produto de outro interiorano caminhando em direção de casa que somente queria uma companhia para completar o caminho para casa.

São Paulo, 05 de Janeiro de 2010

Em caminho semelhante,  duas molecas me abordaram solicitando minha bolsa. Minha bolsa. Embornal no qual carrego além do dinheiro e documentos, carrego pequenas e impagáveis lembranças. Sim, o dinheiro faria falta sem dúvida. Entretanto, o que mais me incomodou fora o fato de ter meu caminho interceptado por pessoas que queriam coisas que eram minhas. Minhas. Minha tranquilidade de voltar para casa em paz, minha carteira linda com uma oração e uma declaração de amor. Minha bolsa com meu caderno de anotações. Coisas que por mais idiotas, são minhas. Coisas que além do valor material têm o valor do meu apego. No final, após meu grito de susto, as meninas saíram correndo… e eu fiz o mesmo para o lado contrário. Meninas assustadas, no final eramos três. Elas sem minhas coisas e eu sem segurança.

São Paulo, 29 de setembro de 2008.

Em um retorno ainda maior. Não do trabalho pra casa, mas sim de uma viagem para casa. Procurando por um grupo de estudos, encontrei algo bem mais profundo e duradouro. Há quase dois anos, alguém respondeu às minhas perguntas e conversou comigo. Corriqueiro. Nem tanto, afinal estamos em São Paulo. As pessoas não conversam, não se importam… as pessoas sobrevivem ao invés de usufruir da vida. E foi assim, que eu venho aprendendo  com este meu alguém que não importa quanto ou o quê você tenha, o que importa é como você encara as coisas. Foi com ele que percebi que não adianta insistir em ser o que não se é. Não adianta tentar agradar a todos e não tentando, nesta empreitada, percebo a cada momento que é mais agradável… para mim e até para os outros. Essa é uma tentativa que ainda não consegui aplicar totalmente, pois agradar ao outro acabou sendo meu vício.

São Paulo, 14 de Abril de 2010.

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Silêncio rompido

Tudo começou com uma vontade de perder o medo de escrever. Este foi o início,há dois anos atrás. Eu tinha pouca coisa e muito barulho na cabeça. A discoteca continua funcionando e talvez seja minha energia vital, mas algo mudou. Hoje eu tenho algo, talvez seja só o início de algo. Tenho liberdade e isso me trouxe mais tranquilidade, mais silêncio, mais vida.

Hoje repenso meus sonhos e sonho novos sonhos…. as palavras me faltam cada vez mais… e junto com as letrinhas, falta também o tempo. Acho que estou brigada com o tempo, e como diz o coelho branco de Alice, não é bom perder a amizade com o tempo. É melhor tê-lo como amigo.

O tempo nos permite repensar coisas, fazer outras e ser… simplesmente o que se é. Seja alternativo ou não, igual ou diferente…

Quase um ano depois de meu último post, deixo aqui umas palavras, rabiscos  e desabafo… Vou voltar aqui e noutros lugares também.

Até breve…