Todas as coisas mais belas do mundo

A beleza está presente sim, em tudo, e mais, em todos. Eu vivo num mundo cor-de-rosa? Pode até ser, mas tenho aprendido que toda beleza tem seu outro lado. Nada é tão fabuloso que não tenha uma desvantagem. Ninguém é tão belo sem ter uma unha encravada. A perfeição em um aspecto carrega um defeito em outro. É o ciclo da vida, das coisas, da própria necessidade do homem de se juntar a outros. Ou seja, sem estas tais imperfeições seriamos ermitãos, solitários.

Serve como experiência de vida? Acredito que em alguns momentos da vida realmente precisamos de um lugar para refletir, ficar em silêncio (ou ouvir uma boa música), entrar em transe conosco. Entrar em contato consigo mesmo, não ouvir nada além de seus pensamentos. E o mais importante: ter sua velocidade reduzida. Diminuir a marcha e aproveitar o tempo de inspirar e expirar.

É pedir muito? Também acho que não.

No entanto, depois de um momento de ermitão, humanos precisam de outros humanos (ou ao menos eu preciso). Por isso, voltamos à sinfonia da vida, mil sons, corações palpitando de emoção, tilintares e tudo mais. Entrar em contato com outros imperfeitos como nós, aceita-los… e assim, quem sabe eles nos aceitam também. E vivemos felizes, não para sempre pois somos mortais (rsrs).

Hoje eu faço um brinde às coisas feias do mundo, afinal sem elas… o que seria de nós?

Cheers for my ugly toes!

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Objetivo

Com esse turbilhão de efemérides que invade nossa vida cotidianamente pela TV, rádio, jornal que acabam sendo assunto das conversas do nosso dia-a-dia, se perder fica fácil. E não apenas um desvio de caminho, mas sim uma total falta de rumo pode nos acometer. Tantas vozes, tantas necessidades, tantos os deveres que nos são impostos pela sociedade (ou por nós mesmos) sem que exista uma relação com nossos objetivos pessoais.

Até esquecemos o que ou quais são nossos objetivos. Outro dia, um amigo me perguntou: Qual seu objetivo? Falei várias coisas que gostaria de fazer, mas nenhuma era de fato meu objetivo. Levei alguns instantes para lembrar-me de mim e o que EU quero. É um paradoxo, a própria pessoa interessada se distancia de seu foco principal: si mesma.

Podemos nos perder de nós mesmos. O tempo pode passar. Os objetivos podem mudar. O que realmente importa? Não desistir, como aquela propaganda: “sou brasileiro e não desisto nunca”. Cumprir nossos objetivos pode ser uma tarefa dura, pesada e árida. Só nós sabemos se vale a pena. A relação custo benefício é totalmente subjetiva. Enquanto para uns, tal situação é o limite do aceitável, e para outras, é apenas o começo.

Demora, ora, demus + hora, dê hora… Oras!

Depois de um longo período sem postar, nada mais natural que conversar sobre o tempo e nossa relação com ele. Ou seja, o que ganhamos ao longo do tempo e como.

Aprendizado:  um processo demorado.

Gostaria de aprender algumas coisas automaticamente, como pílulas, mas não é assim o processo. Ao menos pra mim, por favor, mostrem-me q estou errada.

Soluções podem demorar horas para se conseguir, mas para surgir um problema, basta um segundo.

Se a geração de problemas fosse contínua, estaríamos perdidos! Ironicamente seria impossível solucioná-los. Ainda bem que existe uma verdade universal (?!): existe solução pra tudo, exceto para a morte. E como estamos vivos… podemos ficar tranqüilos.

Podemos? Realmente podemos? Prefiro acreditar que sim, pois se pensarmos sempre nas desventuras que podem surgir em nossa vida, nada faremos. Seremos estáticos e sem vida… se fossemos árvores ainda balançaríamos com o vento e produziríamos flores, frutos ou folhas. Mas, tão parados seríamos nada mais do que só um muro, um verdadeiro bloco monolítico.

Ainda bem que somos dinâmicos e temos movimentação!

No entanto, o ritmo dessa movimentação anda cada vez maior. Tudo é motivo para stress, não queremos esperar por absolutamente nada. Acreditem, outro dia, fiquei impaciente, pois uma senhora demorou a receber meu pagamento e conseqüentemente me dar o troco, pois estava conversando. Não sei o assunto, mas podia ser sério (estavam falando em uma língua que não compreendo). Eu não tinha nenhum compromisso que me apressasse, mas queria pagar e ir embora. Não é um absurdo?

O ditado popular diz que a pressa é inimiga da perfeição. Neste momento mundial, portanto, estamos bem afastados do conceito.

Os limites da sanidade

Sanidade, sã idade… sem idade, insano.

Quando temos medo de arriscar, ficamos apreensivos e retraídos. Assim, a vida passa por nossos dedos e não vivemos, apenas vegetamos.

Porém, chega um momento que desvalorizamos o medo. Este pequeno terrível vai perdendo as forças, e nós tomamos conta de nossas vidas. Como no processo de crescimento, paramos a ter medo do bicho papão, os mitos vão caindo por terra. As histórias da Carochinha ficam apenas na nossa memória.

Perder o medo pode ser bom. No entanto, existem sempre os contras. É uma questão simples de limite, de medida, ou como diria Aristóteles, na Virtude reside o meio-termo entre os dois extremos.

Quando somos crianças ou adolescentes, ainda temos nossos pais nos lembrando das divisas entre o que se pode ou não fazer. Porém, chega um momento que nós somos responsáveis por nos limitarmos. E num ímpeto de onipotência, podemos extrapolar os limites do aceitável. Os limites da crítica ou do ridículo, pela falta de noção ou simplesmente por não enxergar o outro.

Sim. O outro. Nessa sociedade egocêntrica e imediatista, pouco pensamos sobre o outro, ou o ‘próximo’. Regidos pelo lema egoísta de que ‘se não me preocupar comigo, quem o fará’. A verdade é que se temos amigos, família ou qualquer ser que nos ame, eles vão se preocupar conosco. E vice-versa. Ou ao menos, é como deveria ser.

Vivemos numa sociedade de crianças grandes. Não conseguimos ver o outro. Na maioria das vezes, pensamos apenas na primeira pessoa do singular. O ‘tu’ e o ‘ele/a’ não passa pela cabeça da maioria, é uma bola de neve. E eu estou no meio dela.

O autismo me toma. E eu do meu mundinho, nada vejo senão eu mesma. O pior é não perceber quando estamos sendo cruéis com o outro, sem ter intenção mesmo. Não por maldade, mas fazer algo apenas porque lhe convém e sem perceber o tamanho da navalha que enfiamos na outra pessoa.

Uma questão que me ronda estes dias é se há perdão para a falta de noção e tato. Mais uma vez é o tempo que será a reposta. Apenas com paciência e com o passar dos dias há como saber o tamanho do dano.

Afinal, existe perdão ou não? Imagino que não haja resposta exata, mas… existe algo realmente imperdoável? Qual o limite para desculpar alguém?

Tristeza nem com hora marcada

A percepção do tempo torna-se cada vez mais fugaz com o passar dos anos. De fato, o tempo não muda. Quem muda somos nós. Com nossos prazos e tarefas a cumprir. Nem percebemos o tempo. Acredito que o tempo é uma questão de escolha. Sim, o que fazemos com ele em detrimento de outras atividades, é uma escolha. Pode não ser simples fazer esta opção, mas somos nós que fazemos a sinfonia do nosso cotidiano.

Extrapolando questões de ordem prática, percebi algo extremamente útil e benéfica. A tristeza, ou melhor, o sofrimento também é uma escolha. Acalmem-se. Sei bem que o mundo não é cor-de-rosa, e muito menos rosa-choque. Digo o seguinte: já que a vida nos acomete com tristezas e infelicidades sem que possamos fazer nada para mudar; a única alternativa que nos cabe é não repudiar em cima destes fatos. Se existe algo que te machuca, porque continuar batendo nesta tecla e revivendo essa dor? A dor existe por si só e não precisamos alimentá-la.

Há tanto o que fazer com o nosso tempo, que dá-lo às coisas tristes não faz sentido. Podemos não dar chance às tristezas e infortúnios da vida. Não é relevar, pois isso só traz montanhas para debaixo do tapete (hora ou outra podemos tropeçar nela). Precisamos de mais compreensão conosco e com os outros. Tolerância aos desacertos da vida e dos humanos.

Não podemos fugir dos sofrimentos, mas podemos escolher como lidar com eles. E por mais batido que seja, devemos aprender com isso e mais, superá-los.

Eu escolhi não abrir a minha agenda para a tristeza.

Alguns podem achar que é uma fuga, mas acredito que seja mais uma opção de vida.

E a sua qual é?

Tempo

Coelho - Alice

“Tempo, tempo, tempo, mano velho

Vai, vai, vai, vai, vai, vai
Tempo amigo seja legal”

Pato Fu, meus conterrâneos queridos, obrigada por me falar do tempo. Este é um assunto, um sujeito muito interessante. Precisamos cada vez mais dele, e sabemos gradativamente menos sobre o mesmo. O Coelho de Alice não estava “de bem” com o tempo, por isso corria tanto. Será que não precisamos ser amigos do tempo novamente?

Com toda essa pressão de produzir mais e mais rapidamente para termos mais lucro, para chegarmos antes, para sermos mais bem sucessidos, esquecemos da nossa humanidade. Deixamos de lado nosso tempo pessoal, nem mais lembramos que cada um tem seu ritmo, e nos frustramos quando não fazemos tão facilmente ou agilmente quanto esta ou aquela pessoa.

O tempo também nos ensina e muito. Ansiosos que somos pelos resultados, não aproveitamos o tempo, como faríamos com um amigo. Os dias passam rápido demais e nem vemos, ou quando esperamos aquela resposta ou aquele telefonema, aí as horas se transformam em dias. Ah, o Tempo brinca conosco. E nós só o maldizemos.

Obrigado ao Tempo, por ter me feito aprender tanto!

Desculpas também lhe devo, afinal, se não estou na correria, estou fazendo o tempo passar. Da mesma forma que faria com uma visita indesejada em minha casa.

Será que sou a única a maltratar o tempo?

Coisas da Vida

Colombia Colômbia: Resgate frustrado, negociações suspensas, será que os reféns estão mortos? Ou será que já se conformaram com a situação? Se estiverem vivos, podem ter se acostumado com o que foram obrigados a aceitar, mas ainda resta alguma esperança. Sem esse sentimento, a vida perde o sentido, o valor e, com isso, nos perdemos de nossos objetivos…

Brasil Brasil: fim do CPMF. Certo. Não pagaremos mais o imposto dos cheques, porém o governo terá que trazer outra taxa à tona ou aumentar as que já existem. Dado que o tal do imposto representava certa de 4% da arrecadação nacional. Resumindo: não nenhum refresco.
O problema, na verdade, não está na cobrança de quaisquer que sejam as taxas e sim na ausência ou falha na hora de aplicar a quantia arrecadada em prol da população, ou seja, nos oferecendo serviços de qualidade (ou no nosso caso, ao menos algum serviço!). Se pagássemos e recebêssemos em troca o que nos foi prometido, da forma que foi explicado, não havia um problema.

Quenia Quênia: Igreja pega fogo. Detalhe sórdido: com desabrigados dentro. Nem consigo comentar essa notícia.

Brasil Brasil, Rio Piracicaba-MG: Incêndio na delegacia mata 8 presos. Mais uma delegacia superlotada e em péssimas condições estruturais. O carcereiro saiu e levou a chave! Como assim??? Mais uma notícia que não dá nem pra comentar.

Essas manchetes circularam e estão ainda rolando pelos jornais e noticiários.
Não consigo deixar de ficar indignada com a limitação do nosso poder. Também está sendo veiculada uma campanha do TSE na qual somos informados que a responsabilidade de quem foi escolhido nas eleições é nossa (dos eleitores) e que se ficarmos ‘de olho’ e comunicarmos nossas insatisfações podemos mudar o rumo deste bonde!
Ontem, num momento interessante, assisti ao capítulo da novela Global das 8 (quero dizer 9) e nele, o tal chefe da favela diz que as eleições são só para os eleitores (população) terem a impressão que a escolha é nossa, assim como o poder ou próprio Governo está nas mãos do povo. Reparem no conteúdo disso! Por volta das dez horas da noite, do segundo dia do ano, soltam esta bomba ao telespectador. Acalmem-se é só a novela. Lá o mocinho vai dar um jeito, o ditador vai morrer por algum motivo e os eleitores viverão felizes para sempre… Na ficção.
E a gente que não tem mocinho, nem mocinha? Somos humanos, temos várias caracteristicas, não somos ‘do bem’ ou ‘do mal’. Embora este maniqueísmo facilitasse muito, não existe.
Continuo querendo saber uma resposta para pergunta do Drummond: E agora, José?