Objetivo

Com esse turbilhão de efemérides que invade nossa vida cotidianamente pela TV, rádio, jornal que acabam sendo assunto das conversas do nosso dia-a-dia, se perder fica fácil. E não apenas um desvio de caminho, mas sim uma total falta de rumo pode nos acometer. Tantas vozes, tantas necessidades, tantos os deveres que nos são impostos pela sociedade (ou por nós mesmos) sem que exista uma relação com nossos objetivos pessoais.

Até esquecemos o que ou quais são nossos objetivos. Outro dia, um amigo me perguntou: Qual seu objetivo? Falei várias coisas que gostaria de fazer, mas nenhuma era de fato meu objetivo. Levei alguns instantes para lembrar-me de mim e o que EU quero. É um paradoxo, a própria pessoa interessada se distancia de seu foco principal: si mesma.

Podemos nos perder de nós mesmos. O tempo pode passar. Os objetivos podem mudar. O que realmente importa? Não desistir, como aquela propaganda: “sou brasileiro e não desisto nunca”. Cumprir nossos objetivos pode ser uma tarefa dura, pesada e árida. Só nós sabemos se vale a pena. A relação custo benefício é totalmente subjetiva. Enquanto para uns, tal situação é o limite do aceitável, e para outras, é apenas o começo.

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Os limites da sanidade

Sanidade, sã idade… sem idade, insano.

Quando temos medo de arriscar, ficamos apreensivos e retraídos. Assim, a vida passa por nossos dedos e não vivemos, apenas vegetamos.

Porém, chega um momento que desvalorizamos o medo. Este pequeno terrível vai perdendo as forças, e nós tomamos conta de nossas vidas. Como no processo de crescimento, paramos a ter medo do bicho papão, os mitos vão caindo por terra. As histórias da Carochinha ficam apenas na nossa memória.

Perder o medo pode ser bom. No entanto, existem sempre os contras. É uma questão simples de limite, de medida, ou como diria Aristóteles, na Virtude reside o meio-termo entre os dois extremos.

Quando somos crianças ou adolescentes, ainda temos nossos pais nos lembrando das divisas entre o que se pode ou não fazer. Porém, chega um momento que nós somos responsáveis por nos limitarmos. E num ímpeto de onipotência, podemos extrapolar os limites do aceitável. Os limites da crítica ou do ridículo, pela falta de noção ou simplesmente por não enxergar o outro.

Sim. O outro. Nessa sociedade egocêntrica e imediatista, pouco pensamos sobre o outro, ou o ‘próximo’. Regidos pelo lema egoísta de que ‘se não me preocupar comigo, quem o fará’. A verdade é que se temos amigos, família ou qualquer ser que nos ame, eles vão se preocupar conosco. E vice-versa. Ou ao menos, é como deveria ser.

Vivemos numa sociedade de crianças grandes. Não conseguimos ver o outro. Na maioria das vezes, pensamos apenas na primeira pessoa do singular. O ‘tu’ e o ‘ele/a’ não passa pela cabeça da maioria, é uma bola de neve. E eu estou no meio dela.

O autismo me toma. E eu do meu mundinho, nada vejo senão eu mesma. O pior é não perceber quando estamos sendo cruéis com o outro, sem ter intenção mesmo. Não por maldade, mas fazer algo apenas porque lhe convém e sem perceber o tamanho da navalha que enfiamos na outra pessoa.

Uma questão que me ronda estes dias é se há perdão para a falta de noção e tato. Mais uma vez é o tempo que será a reposta. Apenas com paciência e com o passar dos dias há como saber o tamanho do dano.

Afinal, existe perdão ou não? Imagino que não haja resposta exata, mas… existe algo realmente imperdoável? Qual o limite para desculpar alguém?

O Brasil parou.

Mais uma vez parou.

Não se falou nada além da menina jogada pela janela. Mesclado com o cirurgião que fez picadinho, a dengue e o escândalo do Fenômeno. Este último parecer ser o próximo assunto a ser exaurido. Lembram do Bateau Mouche que naufragou em Copacabana? Se não lembram, não se assustem. Logo acontecerá o mesmo com as manchetes mencionadas acima. Em 1988, um barco naufragou no reveillon e mais de 50 pessoas morreram. A notícia ficou no ar por tanto tempo que virou uma metáfora na minha casa.

Obviamente, sinto pela morte das pessoas. Seres humanos no meio de suas vidas, alguns celebrando, outros querendo amor ou dormir. O incômodo está na ausência das outras notícias. Os bancos de dados da ministra nem são mais comentados.

O mais incrível não é o desaparecimento de outros assuntos tão infelizes quanto estes, mas a quase inexistência de boas novas. Outro dia, assistindo ao jornal, ouvi Sandra Annenberg com um pequeno sorriso de alívio dizer “Até que enfim uma notícia boa”. Fiquei tão extasiada com a frase que nem me lembro da tal bem aventurada informação.

Ás vezes, dá vontade de parar como parece que acontece com o Brasil durante essas manchetes. Felizmente, ou não, isto é apenas uma impressão e o mundo continua em seu translado. E nós também. Da mesma forma, podemos nos envolver tanto com um assunto a ponto de perder a perspectiva.

Essa movimentação pode ser ótima quando estamos num período produtivo, mas quando a Roda da Fortuna gira… Ui! Pode ser desastroso.

Acho que vou dar um tempo dos noticiários e passear pelos parques, ver a beleza deste outono que acaba de chegar.

Coisas da Vida

Colombia Colômbia: Resgate frustrado, negociações suspensas, será que os reféns estão mortos? Ou será que já se conformaram com a situação? Se estiverem vivos, podem ter se acostumado com o que foram obrigados a aceitar, mas ainda resta alguma esperança. Sem esse sentimento, a vida perde o sentido, o valor e, com isso, nos perdemos de nossos objetivos…

Brasil Brasil: fim do CPMF. Certo. Não pagaremos mais o imposto dos cheques, porém o governo terá que trazer outra taxa à tona ou aumentar as que já existem. Dado que o tal do imposto representava certa de 4% da arrecadação nacional. Resumindo: não nenhum refresco.
O problema, na verdade, não está na cobrança de quaisquer que sejam as taxas e sim na ausência ou falha na hora de aplicar a quantia arrecadada em prol da população, ou seja, nos oferecendo serviços de qualidade (ou no nosso caso, ao menos algum serviço!). Se pagássemos e recebêssemos em troca o que nos foi prometido, da forma que foi explicado, não havia um problema.

Quenia Quênia: Igreja pega fogo. Detalhe sórdido: com desabrigados dentro. Nem consigo comentar essa notícia.

Brasil Brasil, Rio Piracicaba-MG: Incêndio na delegacia mata 8 presos. Mais uma delegacia superlotada e em péssimas condições estruturais. O carcereiro saiu e levou a chave! Como assim??? Mais uma notícia que não dá nem pra comentar.

Essas manchetes circularam e estão ainda rolando pelos jornais e noticiários.
Não consigo deixar de ficar indignada com a limitação do nosso poder. Também está sendo veiculada uma campanha do TSE na qual somos informados que a responsabilidade de quem foi escolhido nas eleições é nossa (dos eleitores) e que se ficarmos ‘de olho’ e comunicarmos nossas insatisfações podemos mudar o rumo deste bonde!
Ontem, num momento interessante, assisti ao capítulo da novela Global das 8 (quero dizer 9) e nele, o tal chefe da favela diz que as eleições são só para os eleitores (população) terem a impressão que a escolha é nossa, assim como o poder ou próprio Governo está nas mãos do povo. Reparem no conteúdo disso! Por volta das dez horas da noite, do segundo dia do ano, soltam esta bomba ao telespectador. Acalmem-se é só a novela. Lá o mocinho vai dar um jeito, o ditador vai morrer por algum motivo e os eleitores viverão felizes para sempre… Na ficção.
E a gente que não tem mocinho, nem mocinha? Somos humanos, temos várias caracteristicas, não somos ‘do bem’ ou ‘do mal’. Embora este maniqueísmo facilitasse muito, não existe.
Continuo querendo saber uma resposta para pergunta do Drummond: E agora, José?

Uma gata, um incêndio e o Natal

Gata

O mundo não pára, da mesma forma que o tempo como disse outrora o Cazuza.
Após vários filmes sobre o nascimento de Cristo e sobre a lenda do bom velhinho, não pude deixar de ser capturada pelo lado místico dessa época.
Fui invadida por uma gata. Chega uma gata toda pretinha com uma mancha branca no peito do lado direito, olhos cor de mel. Um charme! O primeiro dia fiquei indignada. Quem ela pensava que era para estar na minha casa? No segundo dia, repensei a visitante, um gato preto em minha vida só podia ser sinal de sorte e eu não poderia deixa de acolher a boa chance. Fora isso, a feminilidade que floresce de um felino fêmea é apaixonante. Dizem umas lendas que as bruxas sempre tem um gato preto. Quem sabe a idéia é a partir do mito de Lilith do qual pode ter surgido a ideologia de que o mal paira sobre a mulher. De toda forma, acabei me identificando com a gata, quero dizer, criei vinculo. E desde então, estou dando leite pra menina, ou seja, pra minha querida e charmosa Pretinha, como a música do Moraes Moreira “Preta, preta, Pretinha”.
Posso ter sido invadida pelo espírito de Natal, o amor ao próximo etc. Afinal, racionalmente, adotar uma gata cujo histórico é desconhecido não é deveras saudável. Imagine para alguém com mania de limpeza, quase um milagre. O bom é que com o passar dos dias posso investigar mais sobre minha nova amiga e cuidar melhor dela. Vacinas e veterinário são minhas próximas tarefas! Detalhe, a mocinha parece ter conquistado até o coração do cachorro aqui de casa.
Após todo esse momento “love is in the air”, vejo notícias sobre o incêndio no Hospital das Clínicas! Sim, aquele mais famoso, maior, melhor e mais respeitado! E o jornal ainda relata que havia uma operação em andamento durante o incêndio. Detalhe, nada se falou sobre descobrir as causas do fogo e a notícia foi a mesma em alguns noticiários diferentes. A ausência da preocupação com a orígem do problema me foi chocante. A minha necessidade de resolver tal questão era tamanha que ao ouvir o incío da seguinte frase, achei que já se tratavam dos responsáveis: “Enfermeiros do próprio hospital” – pausa – “ajudaram no resgate dos pacientes”. Algum interesse em interromper a cirurgia de um homem com seis tiros? Ou no fechamento do hospital?
Fora isso ainda tem o grupo de cinquenta motociclistas que assaltaram o Posto de gasolina levando 60 litros de gasolina. Uma inovação. Roubam motos, assaltam Postos e fazem o que quiserem antes de abandonar as motos. Ô criatividade.
Lista de pedidos para o Papai Noel:
Mais saúde,
Noção,
Amor
E gata!
para todos.

Lutas e vitórias

Brennand

Ainda bem: que existem pessoas que acreditam nas revoluções, mas as desvantagens são inúmeras aos mesmos. Sofrem da violência em resposta às suas crenças. Se há um ato contrário à maré em voga, a força da onda da vez é arrebatadora, causa destruição e deixa cicatrizes.
O silêncio tem sua função, mas infelizmente o ato de calar acaba significando consentimento e a realidade não é bem essa. A mudez pode ser algo desde o conformismo até (pessimista) e a ignorância (alienação). Mais uma vez, vejo que cada um tem uma forma de se manifestar ou de produzir alguma diferença, mesmo que seja pela teoria do caos.
É preciso conhecer para se envolver. Em se falando da cultura nacional, sem saber de nossa tão rica e variada cultura, movimentos sociais, entre outros, como podemos aumentar nossa auto-estima nacional? Usar a memória produtiva e não destrutiva, devorar e resignificar as idéias. Garantindo a modificação pelo novo que é criado a partir da nossa memória.
É fato que escutamos a história dos vencedores, a minoria de hoje pode ser entendida como perdedores, ou então, da forma que prefiro: são os vencedores, os que continuaram, permaneceram e sobreviveram às lutas de outrora.
Eu mesma estou cansada. Cansada de ouvir e ver que nada faz diferença. As mudanças são micro e as necessidades macro. A máquina do Estado não permite, quer dizer, não tem interesse em adequar a realidade às necessidades pedidas.
É triste, mas me enquadro num dos tons do conformismo pessimista. Creio que para modificar algo precisamos de muitas conversar abertas, ou seja, diálogo s nos quais ambos interlocutores se escutem de verdade. Não adianta ficar ouvindo os “nãos” da vida, precisamos ver o que o outro oferece, apesar da negativa. Quando nos propomos a negociar, há que ceder e ter concessões.