Instantes

Felix Gonzalez-Torres. "Untitled" (Perfect Lovers). 1991 (Perfect Lovers,1991 – Felix Gonzales Torres)

aHHHHHHHHHHHHHH

Tempo, descanso, trabalho, casa.

De repente as coisas todas estão juntas e não há como separar. E depois de um tempo são únicas, soltas. Assim são as pessoas. Estão em sua vida todos os dias, todas as horas e com o tempo, vão se apartando, afastando, escolhendo outras opções que desde sempre foram um pouco diferentes, mas com os tic-tacs de cada instante foram se distanciando cada vez mais.

O que mantém as  pessoas unidas são as escolhas… de ficar juntos, de se esforçar por compartilhar um momento. Não é fácil, mas é fantástico. E no final cada segundo faz a diferença, cada instante. Alguns caminhos são irrevogáveis, não há como voltar atrás, daí alguns contatos se perdem no caminho. Ás vezes, foram contatos, outros foram amores, amados, amigos, amantes… e para cada um deles um sentimento forte e profundo a sua maneira. Saudades, sim, sempre haverá. De outros, uma bela lembrança, uma lição aprendida, um silêncio necessário. Dor, sim, por que não? Também fica, porém mais suave, como uma carta guardada. Nada mais.

E o que importa é justamente isso, são estes pequenos souvenirs que nos ensinam a ser justamente quem somos no dia de hoje.

Obrigada a todos e a tudo que estão, estiveram ou estarão no meu album de recordações.

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Um agradecimento à comunicação

São Paulo, 12 de Abril de 2010.

Mais um dia longo de trabalho e saindo do metrô indo em direção de casa. Assim como várias outras pessoas, uma pessoa outra faz o mesmo caminho que eu. Em uma metrópole, alguém fazendo exatamente o mesmo caminho que você. Pensamento possível e recorrente, após assitir jornais com catastrofes diárias: Estou sendo seguida. Nada mais natural que apertar o passo, seguir adiante e chegar o mais rápido possível. No entanto, com o vício de uma interiorada que acredita que há bondade no mundo, continuei calmamente meu caminho e logo escuto: “Com licença”… Frio na espinha, estaria eu errada?… a voz continua “Posso te acompanhar?”. O motivo da intervenção, fora apenas produto de outro interiorano caminhando em direção de casa que somente queria uma companhia para completar o caminho para casa.

São Paulo, 05 de Janeiro de 2010

Em caminho semelhante,  duas molecas me abordaram solicitando minha bolsa. Minha bolsa. Embornal no qual carrego além do dinheiro e documentos, carrego pequenas e impagáveis lembranças. Sim, o dinheiro faria falta sem dúvida. Entretanto, o que mais me incomodou fora o fato de ter meu caminho interceptado por pessoas que queriam coisas que eram minhas. Minhas. Minha tranquilidade de voltar para casa em paz, minha carteira linda com uma oração e uma declaração de amor. Minha bolsa com meu caderno de anotações. Coisas que por mais idiotas, são minhas. Coisas que além do valor material têm o valor do meu apego. No final, após meu grito de susto, as meninas saíram correndo… e eu fiz o mesmo para o lado contrário. Meninas assustadas, no final eramos três. Elas sem minhas coisas e eu sem segurança.

São Paulo, 29 de setembro de 2008.

Em um retorno ainda maior. Não do trabalho pra casa, mas sim de uma viagem para casa. Procurando por um grupo de estudos, encontrei algo bem mais profundo e duradouro. Há quase dois anos, alguém respondeu às minhas perguntas e conversou comigo. Corriqueiro. Nem tanto, afinal estamos em São Paulo. As pessoas não conversam, não se importam… as pessoas sobrevivem ao invés de usufruir da vida. E foi assim, que eu venho aprendendo  com este meu alguém que não importa quanto ou o quê você tenha, o que importa é como você encara as coisas. Foi com ele que percebi que não adianta insistir em ser o que não se é. Não adianta tentar agradar a todos e não tentando, nesta empreitada, percebo a cada momento que é mais agradável… para mim e até para os outros. Essa é uma tentativa que ainda não consegui aplicar totalmente, pois agradar ao outro acabou sendo meu vício.

São Paulo, 14 de Abril de 2010.

Passagens

07/10/2009

Muito tempo e pouca idéia. Muita idéia e pouco tempo. Trabalhar 10 horas por dia, em dois lugares diferentes além de ter tempo pras terapias e finais de semana para o lazer (e tarefas domésticas). Normal para grande maioria, e agora, para mim também. Os amigos mantém um ritmo parecido e por isso encontrá-los torna-se cada vez mais ocasional… e principalmente mais dificil de acontecer. Parece que isso é o que acontece quando nos tornamos adultos.

Como diria aquela música… cada um no seu quadrado.

Silêncio rompido

Tudo começou com uma vontade de perder o medo de escrever. Este foi o início,há dois anos atrás. Eu tinha pouca coisa e muito barulho na cabeça. A discoteca continua funcionando e talvez seja minha energia vital, mas algo mudou. Hoje eu tenho algo, talvez seja só o início de algo. Tenho liberdade e isso me trouxe mais tranquilidade, mais silêncio, mais vida.

Hoje repenso meus sonhos e sonho novos sonhos…. as palavras me faltam cada vez mais… e junto com as letrinhas, falta também o tempo. Acho que estou brigada com o tempo, e como diz o coelho branco de Alice, não é bom perder a amizade com o tempo. É melhor tê-lo como amigo.

O tempo nos permite repensar coisas, fazer outras e ser… simplesmente o que se é. Seja alternativo ou não, igual ou diferente…

Quase um ano depois de meu último post, deixo aqui umas palavras, rabiscos  e desabafo… Vou voltar aqui e noutros lugares também.

Até breve…

Às vezes não

proibidoCrianças são os humanos na sua forma mais fabulosa. Não tem as limitações dos pudores ou da educação cerceadora e claustrofóbica que a vida em sociedade nos impõe. Outro dia, escutei um relato fantástico, um irritado garoto de cinco anos e sua mãe no caminho de volta da escola para casa conversam sobre amor e a mãe pergunta se o menino não ama seus pais e o pequeno infante responde perspicaz: “Ás vezes não, mamãe”. A mãe pasma pergunta se ele sabe que seus pais o amam, e novamente o menino responde: “Ás vezes eu sei que não”.

Existem momentos que, por mais que o amor esteja presente, uma ação ou um contexto nos fazem ficar com raiva daqueles que amamos. Algumas vezes as pessoas te irritam, falam aquilo que você não quer ouvir, ou não querem simplesmente te ouvir. Isto causa um sentimento que está bem distante daquela teoria de amor romântico. No entanto, e justamente nestes momentos que botamos a prova nossos sentimentos, nossa vida. Afinal, nada pode ser constantemente um mar de rosas. E nós temos todo o direito de não gostar, de odiar, de querer destruir ou simplesmente não sair da cama. Eu demorei quase trinta anos para ter noção disso, e um menininho já está careca de saber. Eu o invejo. Sua liberdade de expressão que a idade permite e me pergunto com que idade deixamos essa espontaneidade  para sermos mais um pontinho do bloco e por que é tão difícil deixar esse modo?  Quando fomos proibidos de dizer o que pensamos ou sentimos para não sermos demitidos, espezinhados ou, na verdade, livres.

Linhas

Instalação Maria Bonomi

Instalação Maria Bonomi

Encruzilhada

Em cruz ilhada

Ilha em cruzada


Tenho amor pela vida

Amor pra minha vida

Vida com amor…


Preciso decidir

Agir é necessário

Que tal fugir?


Não me movo

Sou ninguém

Vou sendo.


Quero a simplicidade

Simples desejo

Ação complexa

E a idade chega!

Festas

Magrit -ceci n'est pas une pomme

Magrit - isto não é uma maçã

13-1-2009

Não havia mais nada. Ou melhor tudo estava lá e, portanto, nada faltava. Não havia do que sentir falta. Assim, surgem as reclamações sobre o mínimo, na verdade, sobre o não realizado. Uma crítica que só é pertinente quando se compara o plano ideal e o realizável. E assim passou mais um ano da minha vida. Perseverante, consegui aquilo que me propus. Sim, dificuldades, sofrimentos e desventuras. No entanto, no final… o saldo me é deveras positivo.

Faltava um irmão e sua família. Neste ano não foi possível, e provavelmente outros trezentos e poucos dias se passarão sem a presença deles. E logo, nasce-me um sobrinho – incrível milagre da vida e produção de amor.

Do que reclamar? O Noel também não trouxe um primo que sempre estivera lá. As regras ortográficas se unificaram, alguns acentos caíram e por que seria diferente com os hábitos? Eu continuo lá, na mesma cadeira, desde os poucos anos de vida. Meus parentes se moveram e eu continuo, apesar de um passageiro discurso adolescente de rebeldia e fuga. Continuo lá.

E o que me falta? Agora vejo claramente. Nada que estivesse lá, ninguém que fosse recorrente, mas algo essencial: a vontade de estar. Não havia mais vontade de estar, a imobilidade não faz mais sentido. Uma nova dinâmica deve ser proposta. Mais especificamente a minha movimentação, seja com gingado no ritmo da capoeira ou na suavidade forte da yoga.